Royalties: negociação deve ser firme e com senso de justiça
Manter até o último momento uma negociação firme em defesa dos interesses do Espírito Santo é o que cabe à cada liderança do nosso Estado até o próximo dia 5 de outubro, quarta-feira, quando está prevista a votação no Congresso do veto realizado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Emenda Ibsen.
O veto, propriamente dito, não resolve o problema dos atores envolvidos. Ele interessa a todos como um instrumento de pressão. O que deve avançar é a proposta apresentada pelo governo federal este mês. Isso, sim, nos parece fundamental. A iniciativa marca a presença da Presidência da República no debate, o que é extremante positivo, sobretudo pela disposição da União em abrir mão de parte dos seus recursos para a garantia de um entendimento nacional.
No entanto, é uma proposta que pode e deve ser melhorada para o estado do Espírito Santo, especialmente no que tange aos municípios produtores. Nesse aspecto, a boa notícia é que, conforme me assegurou o próprio ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a proposta representa um início das negociações da Presidência com os municípios e estados, possibilitando seu aperfeiçoamento.
Diante desse cenário, a palavra-chave é articulação. E o Espírito Santo – por meio do governo do Estado, bancada federal, prefeitos, sociedade civil organizada e demais atores políticos – tem se mostrado engajado na luta por melhores condições para os produtores de petróleo. Estamos todos dispostos a marcar o posicionamento capixaba nessa discussão, inclusive durante a votação, quando uma comitiva estará presente no Congresso para sensibilizar governo federal e parlamentares.
Porque não há como compreender a lógica da distribuição dos royalties de maneira uniforme para todo o País, independentemente de haver ou não produção de petróleo. Os estados e municípios produtores sofrem impactos urbanos e ambientais que precisam ser recompensados. Essa é a razão dos royalties. Isso é o que está garantido em lei, previsto na Constituição Federal.
Mas também não é justo que os demais estados e municípios, que não possuem reservas petrolíferas, fiquem sem receber nada dessa riqueza que desponta em nosso futuro de forma tão grandiosa. Esses recursos precisam ser compartilhados com nosso País, contribuindo para a socialização do desenvolvimento.
E na proposta do governo há fundamentos iniciais para ser feita essa justiça. Nela, para os não produtores, pode haver redução na expectativa dos ganhos, mas não de arrecadação em si. Para os que possuem reservas, vale destacar que a produção aumentará de forma gradativa, assim como o percentual de participação cai também gradativamente. A médio prazo, isso significa recomposição efetiva na arrecadação municipal. É uma proposição que precisa ser aperfeiçoada, mas representa um caminho para o diálogo. Porque o confronto, neste momento, não é interessante para ninguém.
E, talvez o mais importante, lembrarmos sempre que o petróleo é um bem finito. Por isso sua riqueza necessita de uma destinação específica, que contemple áreas como educação, ciência e tecnologia, preservação ambiental e infraestrutura urbana, em especial nas localidades produtoras, merecedoras de tratamento diferenciado. Uma discussão que precisa ser feita de forma firme e esclarecida, tendo como premissa aquilo que é justo e assegurado em lei.
João Coser, prefeito de Vitória
